Uma imagem na espuma
Eduardo Bettencourt Pinto
Vejo nos teus olhos as lágrimas
que escondes do mundo.
São pequenos lagos onde nadam, secretas,
as luzes da cidade,
peixes de infinita melancolia,
incandescentes mantos
de uma tribo em viagem pelo verão do sul.
Aproximo os dedos. Não vês esse gesto irromper
do fundo da terra, dos seus templos mais áridos,
apenas esta pele que canta o teu nome
e as rugas dos frutos maduros.
A mão cresce e é solar, as unhas estrelas
de sede, pobres remos da minha navegação,
do meu voo raso enquanto observas
o milagre que há nas rosas do céu,
as que se abrem de branco
nas asas do teu olhar. |