Alma
Eduardo BETTENCOURT PINTO

 

Que língua falas, alma, que braços
estendes para além dos vidros da idade,
do frio que queima a erva
e dá às árvores uma veste de melancolia?
Por que te refugias tanto nas insondáveis labaredas
procurando o mar nas tuas próprias mãos?
Envelhecem amando,
fincando na terra as sementes das viagens que escolheste
no brilho das mais abandonadas pedras.